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O Carnaval é, sem dúvida, a festa mais camaleônica da história.

O Carnaval é, sem dúvida, a festa mais camaleônica da história.

O Carnaval é, sem dúvida, a festa mais camaleônica da história. O que hoje conhecemos como o ápice dos desfiles de escolas de samba e trios elétricos, começou há milhares de anos como um rito de liberdade, inversão de papéis e, curiosamente, uma “despedida da carne”.

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Aqui está um breve mergulho na evolução dessa celebração:


1. As Raízes Antigas: O Mundo “De Cabeça para Baixo”

Antes de chegar ao Brasil, a essência do Carnaval nasceu em festividades pagãs na Antiguidade.

  • Mesopotâmia: Nas Saceias, um prisioneiro assumia o lugar do rei por cinco dias, desfrutando de suas mordomias antes de ser executado (uma versão bem drástica da “liberdade” carnavalesca).
  • Grécia e Roma: Festas como as Dionisíacas (em honra ao deus do vinho) e as Saturnais celebravam a fertilidade e a inversão social. Escravos e senhores trocavam de lugar, e o uso de máscaras permitia que todos se misturassem sem distinção de classe.

2. A Idade Média e a Igreja Católica

Com a ascensão do Cristianismo, a Igreja não conseguiu extinguir os costumes pagãos, então decidiu “organizá-los”.

O termo Carnaval vem do latim carnevale (adeus à carne). A festa foi estabelecida como o último período de excessos antes da Quaresma — os 40 dias de jejum e privação que antecedem a Páscoa. Era a última chance de comer bem, beber e festejar antes do recolhimento espiritual.

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3. A Chegada ao Brasil: Do Entrudo ao Samba

O Carnaval não nasceu com samba. Ele chegou ao Brasil por volta do século XVII através dos colonizadores portugueses com o nome de Entrudo.

A Evolução dos Festejos:

  • O Entrudo: Uma brincadeira bruta onde as pessoas jogavam água, farinha e “limões de cheiro” umas nas outras nas ruas.
  • Os Grandes Sociedades: No século XIX, a elite brasileira, inspirada no Carnaval de Veneza e Nice, criou desfiles de carruagens e bailes de máscaras luxuosos.
  • Cordões e Ranchos: Enquanto a elite desfilava em clubes, as camadas populares criavam os cordões e blocos, misturando ritmos como a polca, o maxixe e as marchinhas.

4. O Século XX e a Era das Escolas de Samba

O samba, de matriz africana, tomou conta da festa no início do século XX no Rio de Janeiro. A primeira escola de samba, a Deixa Falar, surgiu em 1928 no bairro do Estácio.

O que era uma manifestação espontânea de rua transformou-se em um espetáculo visual e competitivo, com o surgimento do Sambódromo nos anos 80, projetado por Oscar Niemeyer. Simultaneamente, na Bahia, o Carnaval evoluía do frevo e do maracatu para a invenção do Trio Elétrico (Dodô e Osmar), mudando para sempre a dinâmica da festa no Nordeste.

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Por que o Carnaval ainda importa?

Mais do que feriado, o Carnaval é uma válvula de escape social. É o momento em que a realidade é suspensa, a fantasia vira identidade e a cultura popular ocupa o centro do palco. Como diz o ditado, o ano no Brasil só começa “depois do Carnaval”.

O Frevo: A Dança que Nasceu da Resistência

O Frevo surgiu no final do século XIX em Recife, Pernambuco. O nome vem da palavra “ferver” (pronunciada popularmente como “frever”), descrevendo a agitação das massas nas ruas.

1. A Capoeira como DNA

A origem do Frevo está ligada à rivalidade entre as bandas militares e os blocos populares. Naquela época, os capoeiristas eram contratados para ir à frente dos blocos para proteger o estandarte e intimidar os grupos rivais.

Quando a polícia começou a perseguir a capoeira (que era crime no Código Penal de 1890), os praticantes camuflaram os golpes de luta em passos de dança. É por isso que muitos movimentos do Frevo são baixos, ágeis e explosivos:

  • O “Passo”: O que chamamos de dança hoje é, na verdade, uma evolução dos golpes de capoeira estilizados.
  • A Sombrinha: Antes de ser colorida e pequena, ela era um guarda-chuva comum (geralmente preto e velho) usado como arma de defesa e ataque pelos capoeiristas.

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2. A Música: A “Fervura” do Metal

O Frevo é um gênero musical urbano que acelerou o ritmo da marcha dobrada (militar) e do maxixe. Ele se divide basicamente em três tipos:

  • Frevo de Rua: Instrumental, feito para “ferver” o asfalto. É o que ouvimos nos blocos como o Galo da Madrugada.
  • Frevo de Bloco: Mais nostálgico e poético, utiliza instrumentos de corda (violões, bandolins) e vozes femininas.
  • Frevo-Canção: Uma mistura dos dois, com letras cantadas, mas mantendo a orquestra de metais.

Curiosidade: Por que o Frevo é Patrimônio da Humanidade?

Em 2012, a UNESCO reconheceu o Frevo como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O motivo? Sua capacidade de unir música e dança em uma expressão de resistência urbana que se mantém viva e autêntica há mais de 100 anos.

Diferenças Visuais e Energéticas:

Diferente do Samba, que nasceu mais cadenciado, o Frevo é pura adrenalina. Ele não é apenas um ritmo; é uma mistura de música, dança e, acredite ou não, luta.

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